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6 de nov. de 2011

Pensamentos e teorias

Sabe o que é engraçado? Antes de começar a escrever aqui já escrevi um texto mentalmente digno de várias páginas. Mas ao iniciar essa escrita eu perdi o animo. Gostaria que minha cabeça tivesse um teclado para poder registrar o que penso em forma de texto.
Estava em meus devaneios, pensando sobre muitas reflexões sobre a minha vida. Sabe, sempre ouço que a vida é única e que cada momento é único. Concordo plenamente. O que somos hoje, a um segundo atras será diferente do segundo posterior. Posso estar no ônibus tranqüila escrevendo e uma bala atingir algo vital e morrer. Coisa de um segundo, ou menos.
Admiro quem consegue viver assim, mas não sou assim. O meu momento é feito de vários momentos. Preciso de algo mais do que apenas um simples momento.  O complexo para me satisfazer é muito maior que um simples momento. Se me apaixono nesse segundo, posso amar outro nesse.
Acho fascinante as pessoas e ao mesmo tempo não as suporto. Tudo que vejo que um ser pode fazer dói a minha alma. Não sou uma pessoa boa ou ruim, sou apenas eu. Não acredito que as pessoas sejam boas ou más. Todos somos centrados no "eu" e isso nunca vai mudar. Se existem pessoas que fazem o mal ou o bem, apenas depende de como elas podem se satisfazer. Se costumo ajudar o próximo, apenas quer dizer que esse é o jeito de se sentir em equilíbrio.
Nesses devaneios que tive, estive pensando que Deus é perfeito. Ele criou o corpo humano com cada característica de bem ou mal. Sendo Sá escolha do dono, a alma, escolher como será o seu presente.
Gosto de criar teorias pelo que observo pelo mundo. Não acredito que o homem seja a semelhança de Deus como exaltamos. Acredito que a alma seja a verdadeira copia. Para presentear essas, Deus criou o corpo, onde essas almas poderiam viver. Como cada alma possui a sua particularidade, Ele fez o corpo imperfeito e moldável. Assim cada alma pode criar a sua arte. O que aconteceu foi que a alma fascinada pelo presente, se fundiu com o corpo e criou o humano. Perdendo assim a capacidade plena de configurar seu presente. Sendo apenas capaz de  se libertar na hora da morte. Somo imperfeito, pois sucumbimos as particularidades. E centrados pelo fascínio das almas pelo corpo, somos assim. Apenas não sei se as almas são tantas que temos humanos infinitos. Ou que as almas tristes por perderem seus "brinquedos" ganham de Deus um novo presente e cometem o mesmo "erro".
Escrevi tanta coisa que poderia não ser dita, mas tudo que passa pela minha mente é algo que quero gritar ao mundo. Como não posso ler as mentes das pessoas, quero entender a minha e saber se se parece com outras. Adoraria ler as mentes, não para poder manipular ou algo do tipo. Gostaria de ser capaz de entender o mundo, saber como uma pessoa pode fazer o que nunca faria. Não sou santa nem diaba. Mas sei que o meu "eu" precisa pensar e entender onde está, pois estaria mais seguro e tranquilo.
Termino aqui esse texto. Pensando que sou mutável, imperfeita, mas uma essência infinita, pois a minha presença na Terra nunca será apagada. Pois estive aqui e Deus sabe disso. Ele teve o trabalho com cada um e, pode ter certeza, Ele sabe que eu existi, e eu sei que existo e que vivi.

20 de out. de 2011

o Ser perfeito.

Gosto da minha gata, e sempre pensei como ela poderia me ver. Por isso escrevi esse pequeno texto de como ela veria o mundo em relação a mim.

Pensamentos de um Ser perfeito



            Não sei ao certo porque estou aqui pensando dessa maneira, mas já que comecei a pensar vou concluir. Sou uma irresistível gata de quase 11 anos. Meu aniversário está chegando, parece que eles chamam o período de Novembro. A minha humana de estimação chama-me de Xaninha e dezenas de outros nomes. Não me recordo direito o nome que minha mãe deu-me, pois fui retirada dela muito pequena.
            Quando iniciei a minha vida não tinha um humano de estimação. Muitos gatos preferem ser independentes dessas criaturas, mas outras desejam. Eu não tinha ainda me decidido, mas estava colocada na rua com menos de três meses. Porém achei um lugar onde recebia comida de dois filhotes humanos muito estranhos. Dessa maneira decidi adotar uma daquelas humanas. Foram dois meses de pesquisa. Na verdade, acho que escolhi um ogro. Achando que poderia fazer o que quiser apertava-me e fazia o que queria. Um verdadeiro caso de treinamento. Fui treinando essa humana para ser do meu agrado, mas era muito temperamental.
            Com o passar dos anos fui domesticando a criatura, pois descobri que os outros humanos eram diferentes. Poderiam ser escravos, mas a minha humana era aquela que crescia e se tornava um mostro de tão grande. Ela já era grande, mas dava para se ver os ossos. Agora tem muita, mas muita carne. Não sei o sabor de um humano (tirando as infinitas mordidas que já dei no treinamento), ela seria um belo banquete.
            Hoje ela ainda é estranha, muda seu humor do nada. Mas tenho que relatar, ela é corajosa, pois meus escravos vão fugindo apenas com olhar, para ela tenho que arrancar sangue, diria litros, para pensar em parar. É um bom esporte para esse dia monótono. A minha vida é uma vida dura. Durante a noite fico em uma parte de meu território. Gosto daqui, pois posso andar e dormir sem ter que explicar que é minha propriedade. Eles fazem o seu serviço e deixam-me na minha tranqüilidade. Caso deseje algo posso chamar que atendem prontamente. Tenho que acordar cedo para exigir o meu primeiro desejum.
            Fazem o trabalho de bom grado. Meu dia tranqüilo é um mix de cochilos, lanches, cochilos, vistorias, brincadeiras, cochilos, necessidades fisiológicas. Um verdadeiro dia atribulado. Aceito a minha sina de maneira tranqüila, mas a minha criatura sempre tem que fazer algo para importunar-me. Tive recentemente alguns problemas de pulgas. Uns invasores de minha casa tentaram aplicar essa técnica para se infiltrar. Mas meus escravos cuidaram disso.
            Mas essa criatura tem que teimar em mexer em meu peitoral, axilas e abdome. Não posso nem dormir direito. Estou ficando com stress. E as sessões de tortura com aquele pentinho? Posso bater até sangrar, mas ela está muito arredia. Estou pensando uma maneira de educá-la. A única coisa de bom é o leite que vem depois.
            Tenho que falar que ao menos consegui treinar bem essa humana. Sempre ganho um sache, fígado, carne, leite, ração e outras coisas. Parece que ela tem se esforçado. Depois de faltar durante três semanas de suas obrigações trouxe um alimento com gosto bom. Ouvi que era da Itália. Vou exigir que traga mais, mas sem se ausentar.
            Melhor parar de divagar, pois a criatura voltou do banheiro, o que tenho que suportar... Beijos, apertões, mas acho que até gosto dela, sim gosto das comidas que ela me trás.

Para o ser mais gostoso e lindo do planeta, alvo de fotografias ao extremo. Minha amada gata Xaninha.

Espero que tenham gostado...pode comentar se quiser...queria escrever mais sobre gato, por isso gostaria de opiniões.

26 de jul. de 2011

Duentes

olá,


Participei de um concurso com a minha amiga Chica. Contamos uma festa nossa. Amo as Duentes!!!



A amizade possui várias facetas, a que vou contar é a loucura. Imagine uma festa a fantasia. A normalidade poderia ser algo característico, com algumas fantasias diferentes, mas que não sairia da normalidade de uma festa. Pare. Pense em pessoas que se autodenominam “Duentes”. Junção de “doentes” e “duendes”. Vivem falando que moram em um hospício. Agora tem único fator diferente que pode mudar uma festa. Um grupo de “Duentes”, ou seja, eu e minhas amigas.
            Chiquinha (Ana Carolina) e eu vivenciamos a nossa festa mais engraçada e marcante. Não que as outras foram normais. Foi à primeira festa da faculdade que participei. A “Duente” Chica estava de Branca de Neve e eu de Vampira. Com uma maquiagem perfeita de minha amiga, muitas pessoas ficaram com medo de meu olhar. Suponho que minha fama tenha ajudado um pouco.
            Quando algo não dá certo de início, avalie novamente, Deus avisa. Fomos levadas pela grande e normal mãe de uma amiga. Todas empolgadas e com frio (menos eu). Demorou um século para acharmos o primeiro lugar da festa, mas quando encontramos, ele tinha mudado. Foi apenas uma chuvinha e o lugar era aberto.  A alegria irônica foi sentida. Foi uma pena que não foi uma chuva torrencial. Estávamos em um lugar muito, mas muito longe de casa e teríamos que ir para outro planeta. Foi assim que me senti.
Endereço novo arranjado, o batalhão retornou ao seu locomotor. Tivemos sorte, um ônibus transferia as vítimas das águas. Acredite, ele era muito sinistro. A santa mãe normal nos esperou. O novo lugar era longe do primeiro e desconhecido para todas nós. Enfim, estávamos perdidas. Como não só existiam mulheres no carro, perguntamos. Seguindo as migalhas, encontramos o lugar. Um posto chamou a minha atenção. Paramos para perguntar e encontramos alguns perdidos que nos orientados. Em plena sexta-feira, um grupo fantasiado assumiu a região. Chegamos todas felizes.
            Como estávamos no inverno, fui bem agasalhada e usando a minha capa. Brinquei com todas que era a única agasalhada. Meu feitiço virou contra mim. Fui abençoada logo no início da festa. A única pessoa que não bebeu nada no grupo, eu, passou mal. O mundo começou a rodar e tive que ser levada para fora. Parecia que tinha enchido o meu taque naquele posto. Só que ninguém acreditou que eu passei mal pelo calor, acharam que eu já estava “mamada” em 10 minutos de festa. Poderia ser conhecida como a manguaça mais rápida do lugar.
            Lembro dos seguranças olhando para a minha cara. Estava escrito em seus rostos: Essa bebeu para um batalhão. Restabelecendo as minhas forças, calibrei as roupas e acertei o ponto de equilíbrio. Depois de recuperar-me, nosso grupinho de quatro pessoas começou a beber. Posso falar que não conheço nada de bebidas, cada nome. E eu só na água, não bebo nem refrigerante. As meninas começaram a ficar um pouco alteradas e bebendo. Ainda me lembro de ver dois copos na mão de uma e outra derrubando no chão.
            No meio da festa, a Chiquinha e outra amiga começaram há passar um pouco mal (ciúmes de mim). Eu e uma outra amiga (que estava apenas alegre) levamo-las para o banheiro. Banheiro de festa é sempre assim, tem sempre um vomitando, pessoas acompanhando e se conhecendo. Elas ficaram uma em cada cabine. Uma apenas utilizou o banheiro, que eu segurei a porta. DesculpeChica, mas não lembro o que você fez lá. Guarde essa informação. Quando ela quis sair, se não me engano, falou para soltar a porta. Segurava fortemente. Eu a amiga alegre fizemos amizade com uma Cruela Devil que estava no banheiro. Nossas amigas “morrendo” e nós conversando no banheiro. Seguindo o padrão. Se você quer fazer amizade em uma festa vá ao banheiro. Isso deu certo para nós.
            Depois disso regaram a festa com refrigerante e água, pois precisavam restabelecer sua sanidade. Explicação. Somos loucas, mas temos um pingo de sanidade para viver em sociedade. Depois ainda rolou mais bebida. Minhas amigas não são de beber assim, mas como era a primeira festa, perderam um pouco o limite. Limite? Perderam a noção de que um copo não são três tipos de bebida.
            Algo que acho incrível é como os “caras” avançam quando as meninas estão bêbadas. Ver aqueles abrutes rondando as minhas preciosas amigas e elas um pouco alteradas para falar não ou aceitarem. Como sou considerada a mais forte do grupo e ainda sou mais alta, pedi permissão para afastar os mancebos. Ou seja, estava concorrendo ao cargo de segurança. Caso elas dissessem não eu ficaria na minha. Recebi permissão. Felicidade restabelecida, comandos para o corpo crescer e ficar em posição de guarda, ativos. Comecei a vigiar e a dançar com minhas amigas.
            Fui espantando os rapazes que estavam bêbados até o osso. Eles ficavam meio que receosos de ver uma pessoa com cara de assassina em cima deles. Um cara que me deu trabalho foi um mais velho. Ele encarou-me, mas eu não arredei pé. Nessa época eu não lutava Karatê e não sabia o principio de conter agressividade. Era capaz de bater nele e apanhar muito. Passando por cima desse detalhe, “protegi” minhas amigas de seus predadores. Hoje não faço mais isso, se elas quiserem que eu ajude em algo, eu faço o que elas pedirem. Desisti desse emprego.
            No meio disso tudo, uma assombração apareceu. Como se estivéssemos em uma casa mal assombrada, avistamos a mãe de minha amiga. Ela necessitava utilizar o toalete. Como ela entrou na festa? O convite? Tantas perguntas que poderiam passar em nossa cabeça. Apenas pensamos se era ela mesma. Quem imaginaria ver pessoas como a Chiquinha que tem cara de anjinho em uma situação tão constrangedora?
A senhora ficou nos esperando, pois o lugar era tão perdido que imaginou que não acharia o lugar de volta. E também ela chegaria a sua casa e já sairia para nos buscar. O nível das pessoas de bebida estava tão alto que a confundiram com uma professora. O melhor era ver o pessoal a chamar de professora. Sendo que a voz era mais para quem nem sabia que existia. A Chica estava tão sóbria que quando a senhora avisou que era apenas para ir ao banheiro que estava ali, acabamos dentro do carro. Algo simples como a sensação de liberdade dada pela natureza foi entendida como: “Vamos embora”. Todas nós pensamos que deveríamos ir para casa. Porém, não havia a necessidade. Perdemos tempo de festa e ouvimos reclamações alheias sem necessidade.  Saímos da festa e entramos no carro. A Chica meio que dormia e uma amiga minha falava que necessitava ir ao banheiro. Guarde essa informação. Sabe qual é o cumulo de estar bêbada dentro de um carro? Pedir para parar o carro em meio a Radial Leste para urinar. Eu fiquei conversando com a senhora, falando que todas não haviam bebido muito. Quem eu queria enganar? Chegamos à casa da minha amiga, subimos nós quatro de elevador até que veio o episódio mais estranho da noite.
            Relembre as informações que pedi para guardar. Começo a rir só de lembrar. Não agüentando mais segurar, minha amiga urinou no elevador e a Chica acompanhou com um pouco de regorjear. Aqui você já descobre que ela não vomitou no banheiro da festa. Acredite, segurei a Chiquinha para ela não cair na mistura. Todas nós saímos rindo. A noite terminou, ou seria a manhã começou com todas felizes no quarto dormindo.
            Eu não fiquei ilesa nessa festa, eu não necessito de álcool, pois tenho o meu estado natural de alcoólatra. Nenhuma outra festa foi tão engraçada como essa. Eu e a Chiquinha vivenciamos diversas aventuras. Quis contar essa, pois considero o marco inicial de nossas verdadeiras loucuras. Só queria terminar pedindo para vocês imaginarem o cheiro dessas fantasias. Não era agradável.
            Agora veio a minha mente quando agente foi comprar a fantasia. Que loucura a 25 de Março. Ou aquela festa que teve carregamento por segurança e chão lavado a vermelho. Sono no palco. Ou outra que todas riram da maneira sutil de afastar certas pessoas. Ou aquela...


aeee Chica (Ana Carolina)

1 de jul. de 2011

Sonhos infantis

Para a chica


         Tempos depois de o mundo ser criado, Deus resolveu dar um poder para o homem. Existiam cerca de 1000 pessoas na Terra. Todas trabalhavam para conseguir sobreviver e desejavam voltar ao paraíso. Louvam a Deus, mas o livre arbítrio permitia existir a descrença e a maldade.
         Deus sabiamente resolveu dar o poder a apenas um homem ou uma mulher para que esse pudesse distribuir aos outros da melhor maneira possível. Para se comunicar com seus filhos, Deus criou os sonhos e durante a noite visitava seus amados. Durante dias foi vendo quem poderia ser o representante e que poder poderia dar para a raça humana.  
         Logo as pessoas começaram a comentar sobre os sonhos. Todos queriam poder sonhar. Com o tempo, Deus já estava terminando suas visitas, porém não encontrava nada que inspirasse esse poder. Todos só queriam sonhar e ter seus sonhos.
         Quando a ultima pessoa pode sonhar, Deus pode ver algo diferente do que as outras pessoas. Por ser o ultimo, ele mostrou qual seria o poder que deveria dar aos homens. Bastava dar ao homem o poder de sonhar, pois esse ser é capaz de muito se tiver um sonho.

História fictícia, pois já nascemos com o sonho, mas serve para pensar, temos esse dom a ainda sim reclamamos da vida...

21 de jun. de 2011

Acordando com um anjo

Oi...depois de morrer esse blog...e a chica não ler o outro texto...
Depois de ver o vídeo postado no site www.tudogato.com.br, fiquei com vontade de escrever um poeminha...

Espero que gostem...

Acordando com um anjo

Ainda em meu sono profundo,
Sinto a massagem dos anjos.
Um afofar de cobertas e carnes,
Um peso tão leve como o sono fugaz.

Ouço o cântico dos anjos,
Reclamações por não se confortável.
Sons mais sublimes que uma harpa,
Na sintonia de um violino desafinado.

Abro meus olhos aos poucos,
Vejo cores celestiais em movimento.
Pêlos de asas de anjos abençoam
Caindo sobre meus olhos.

Uma caricia em meu modesto nariz,
Um rabo com pêlos tricolores.
Um peso quieto, arranjado.
O sono fugaz acha um novo dono.

Estou sem sono, um anjo.
Sem sair do leito, sou o leito.
Fui abençoada por um anjo.
Fui acordada pela minha gata.


Espero que tenham gostado...
Bye - saionara 

30 de mai. de 2011

Passado alterado

Ai vai uma novinha. Chica quero ver se vc gosta....

Passado Alterado



Você já pensou no seu passado? Desejou que fosse diferente? Aprendi que o passado pode ser enterrado, mas nunca apagado. O tempo pode apagar lembranças e sentimentos, mas nunca o que aconteceu. E se você pudesse mudar o seu passado viajando por ele? Sei que nunca vão acreditar no que eu vivi. Voltei para o meu passado, mudei e. Prefiro não falar agora se foi bom ou não muda-lo.
Quando era menor, apaixonei-me perdidamente por alguém. Sei que isso sempre acontece, mas não quando você tem apenas 10 anos de idade e não entende nada do mundo. Precoce. Algo que nunca fui. Tardia. A definição da minha vida. Mesmo para aquele tempo eu era muito mais atrasa do que a maioria das crianças.
Sempre julgamos que seria melhor se algo diferente tivesse acontecido. Seria engraçado ver o mundo como as pessoas desejariam. Tudo começou quando encontrei uma simples pedrinha na beira de um rio. Ela trouxe-me lembranças de quando amava. Nunca mais amei ninguém.
Depois de encontrar a pedra, voltei para casa. Fiz um pingente com a pedrinha. Passaram-se alguns dias e ainda sim o sentimento de tristeza cortava o meu peito. Por imaturidade, consegui perder o que mais amava. Meu amado, mais velho que tentou dizer que amava, mas fugi com tudo que pude. Fiz-me de desentendida. E o destino calhou em nos separar. Depois soube que a morte o agraciou com seu beijo fúnebre.
Amargurei por muito tempo. Quando se volta no tempo, você nunca vira o mesmo, apenas começa a coexiste com sigo mesmo, mas não pode se tocar. Aprendi essa regra com um Guardião do tempo. Vou começar a relatar tudo que aconteceu.
Depois dos dias se passarem, a idéia de voltar no tempo perseguia-me. Não sei quando ela surgiu, mas virou minha companheira. Como se por mágica, tive uma vertigem e uma alucinação ou coisa parecida. Um senhor velho com uma barba e cabelos muitos longos e brancos. Vestindo um casaco que ia até o chão e o cobria por inteiro. Preto como o céu noturno cheio de estrelas. Podia jurar que era igual a constelações.
- São poucas as pessoas que conseguem fazer essa viagem. – falou em uma voz doce e tranqüila – Apenas aqueles com sentimentos verdadeiros e com um alto poder espiritual conseguem chegar até aqui. Você deve aprender algumas coisas para poder viajar, pois sua existência pode ser destruída.    
- Espera um pouco. – disse sarcástica – Para onde vou e por que tenho que arriscar a minha vida?
- Você desejou voltar ao passado. Porém mexer com o tempo é perigoso. Seu sentimento é verdadeiro, porém depende apenas de você decidir o que fazer. – era incrível como ele era calmo.
- Eu vou voltar para o passado? Quando tinha 10 anos? E isso custa a minha vida? E qual é a vantagem de morrer? – naquela hora já estava incrédula.
- Não disse que custa a sua vida. – parecia que não era a única que fazia essa confusão – Apenas digo se não tomar cuidado não poderá existir novamente em seu tempo e naturalmente você será tragada pelo vácuo que se formará na espiral do tempo e espaço.
- Devo estar sonhando. – negação. Queria não ter feito isso.
- Sinto ter que fazer isso, mas não está sonhando. – Senti meu corpo quase se dilacerar em dor. – Acredita agora? – anui – Ouça o que tenho a dizer.
Foram passadas as regras para que o pior não acontecesse. Vou listar aqui:

  1. O passado pode ser mudado, mas isso afeta o futuro;
  2. Nunca se deve tocar a si mesmo. Ou sua existência é destruída e a espiral modificada;
  3. É necessário que haja certeza do que deseja mudar. Uma vez mudado, a regra um é invalidada;
  4. Não existe destino, mas a natureza tem o seu ciclo e isso nunca muda;
  5. É possível contar ao seu eu antigo, mas nunca tocar.

Depois aceitar e entender todas as regras, fui mandada para o passado. Exatamente no momento em que meu amado tentava declarar-se. É engraçado se ver no passado. Seus gestos e forma de ver o passado podem ser diferentes, mas a sensação do mundo é a mesma. Sentia todos os sentimentos do meu eu antigo.
O eu antigo estava brincando com ele. Do nada ele parou e ficou vendo-me correr. Na inocência de sempre, não entendi o que queria. Pulei em cima dele.
- Esta com você. – ria na felicidade de estar com ele, mas não podia desejar mais nada. Não conhecia o que desejar.
Ele tinha olhos tristes. Com apenas três anos mais velho, ele via o mundo de maneira totalmente diferente. Com delicadeza tirou-me de cima de si e começou a falar coisas estranhas para mim naquele momento.
- Sabe de uma coisa, você é bonitinha quando ri assim. – eu (presente) pude sentir o calor e confusão que tomaram o meu antigo eu. Ainda assistindo, pude ver-me coçar a cabeça e continuar a correr. Era como um instinto falando para negar aquele momento.
- Não entendi nada, mas vamos continuar a brincar. – disfarçava a minha falta de conforto com a situação correndo como uma retardada em círculos.
Fui observando que sempre que chegávamos perto ele falava alguma coisa relacionada de gostar de mim, achar-me bonita e querer namorar comigo. Não se ainda porque fiquei apenas assistindo. Algo me falava que deveria intervir, mas não conseguia parar de sentir os sentimentos da minha pequena eu. Assim a noite caiu.
Ela fugiu o dia inteiro dele. Fingia que não ouvia. Ele chegou até a soletrar para ver se eu entendia, mas era incrível como fugia. Andando pelo condomínio, a antiga eu olhava para baixo e tentava entender o que acontecia. Dirigi-me a mim e sentei-me ao lago de onde estava parada.
- É confuso entender, né? – disse com uma voz mansa, nem parecia eu mesma.
- O que você pode saber? – estava muito estúpida naquele momento. – Nem eu sei o que acontece. Daqui a dois dias eu volto para casa e isso vai acabar.
- Posso te falar, eu sei o que você sente. Eu sou um eu seu do futuro. – olhei-me com cara de incrédula. – Algo que só eu, ou seja, você saberia, só assistia aos jogos de queimada na escola para não se sentir sozinha.
Depois de falar mais umas coisas pessoais e discutir comigo mesma. Fui convencida de que era do futuro. O que você faria naquele momento? Contaria tudo para o seu eu de 10 anos? Eu não entendia nem o meu sentimento.
- Eu não quero interferir assim diretamente na nossa decisão. Mas arrependo-me apenas de não saber o que sentia. Você gosta dele e ele de você. Você tem a decisão de ficar com ele ou de se separar para sempre. Hoje eu fico triste pode não amar mais ninguém.
- Mas, mas... – o meu antigo eu estava chorando.
Quis Abraçar-me, mas apenas ficamos ali sentadas. Eu sentia tudo que ela sentia, mas ela não sentia o que eu sentia. Fiquei refletindo sobre o que sentia, mas no meu presente. Será que eu estava pronta para amar alguém? Sentindo o que sentia quando pequena pude ver que a minha decisão foi correta. Eu não poderia força-me assim. Não tinha que mudar o passado e sim o presente.
As lembranças foram distorcidas e os sentimentos esquecidos. Arrependi-me de ter interferido no passado. Tive a chance saber que por mais que desejemos mudar o que aconteceu, apenas vivendo novamente podemos saber o que é melhor. As conseqüências são imprevisíveis, é melhor ter o que se sabe e se mudar no presente para se adaptar e assim melhorar o futuro.
- Desculpa por ter voltado. Quero que esqueça o que te disse, apenas pense no que você quer agora, o futuro é mutável.
- Ok. – eu não me lembrava, mas sempre me recuperava rápido das coisas. E com um sorriso no rosto sai saltitando para o chalé.
Desejei voltar ao meu futuro e assim o Guardião apareceu e levou-me ao mesmo lugar da alucinação. Explicou que o mundo não seria a mesma coisa que antes. E que o meu eu antigo ia distorcer a minha aparição com lembranças de uma desconhecida. E eu ia esquecer da viagem algum tempo depois, mas como já mudei o passado não posso voltar.
Voltando da vertigem, percebi que tinha alguém do meu lado. A minha sensação interior era diferente. Tive outra vertigem e muitas lembranças novas vieram a minha mente. Possuía duas histórias em mim. Tentando assimilar tudo. O rapaz ao meu lado estava preocupado.
- Vou te levar ao hospital – já estava me levantando nos braços.
- Não precisa. – livrei-me de seus braços. Corri para casa e estou aqui escrevendo. Sei que não vou lembrar, mas quero enviar para o mundo a minha mensagem. Não é passado que deve mudar e sim a maneira que o encaramos.
Vocês devem estar curiosos para saber o que aconteceu comigo depois de falar comigo mesma. Depois que entrei em casa, eu havia crescido. Podia entender o meu sentimento, mas sabia que não era hora para vivê-lo. Quando ele veio se declarar novamente falei o que o amava, mas ainda era muito jovem. Assim depois de anos nós nos reencontramos. Ele não morreu, pois o destino foi mudado. Porém era da natureza que não ficássemos juntos.
Nosso amor infantil tinha se decepado, mas eu amadureci de forma diferente. Consegui outros amores, apenas arrependo-me de ter amado tantas pessoas e não ficar com ninguém. A situação é a mesma que antes, não amei ninguém nunca tanto quanto ele. Sei que o ciclo da natureza me levaria para alguém que amarei, não importa quem seja, mas pude aproveitar mais a vida. Adaptei-me as novas conseqüências.
Mudando ou não o passado, eu devo aprender a não duvidar de mim mesma pelas minhas escolhas. Sou diferente hoje, mas cada lembrança, que está se apagando de mim hoje e sendo substituída por outra, é valiosa e isso não tem preço que pague.

Até

20 de mai. de 2011

Carta escura

Bom dia caros leitores, estou aqui para divulgar uma carta que virou música, mas que não deverei ter saído da gaveta de uma escrivaninha. Imagino que vocês na tiverem a experiência de conseguir ter algo secreto exposto para todo um planeta.
             Escrevi uma carta de amor e tranquei numa gaveta. Em um devaneio enviei para mim mesma. Já que não tenho coragem de enviar para a pessoa correta, tiro poeira dela. Na simplicidade de uma apaixonada se lançando sentimentos confusos pelo correio, cometi um erro, se foi meu erro. É simples narrar algo assim.
            Ouvindo uma rádio depois de ter esquecido a carta, a ouço musicada por um estranho. Sendo pedida para todos ouvirem. Quase cai para trás quando isso aconteceu. Perdi o meu mundo, segui passos para a escuridão, desmaiei. Ao acordar pensei ter sonhado, mas tudo estava estampado na memória e tocando novamente na rádio.
            Um amor impossível estava estampado nos ouvidos de todo um mundo. Leram minha carta e gritaram ao mundo. Você acha que essa carta merecia esse fim? Hoje todos ouvem, mas não sabem que se trata de um amor que a noite trouxe junto da solidão.
            “Caro personagem de meu coração.

            Na noite qualquer o meu coração foi fecundado pelo seu carisma. Fui invadida por um sentimento intermitente. As ruas por que passei já gritam minha dor e desejos. O céu já possui um arranjo surpreendente para o destino. Sou sua amiga, mas queria ser mais. Os desejos já sabem das noites pálidas. Das sombras de um sentimento que me seguiu.
            Sei que nunca vou te alcançar, mas não posso parar de pensar. Acredito que filósofos viajariam em meus sentimentos. Sou apenas um pesadelo. Desculpe não ser o seu perfeito sonho. Esse amor nunca vai ser uma flor da primavera. Posso insistir, mas apenas queimaria meu coração com ferro quente.
            Queria gritar o que sinto, mas a garganta se fecha. Quase morro sufocada. Apenas me visto com lembranças da amizade. E criando uma cicatriz desse coração. Matando a semente desse coração. E numa noite qualquer perceber-me sem desejos, separada dessa ordem do caos.
           
Apenas uma personagem amante.”  

            Hoje ouço você rir desse sentimento que ainda corta esse peito. Maldita carta, maldito sentimento, bendita experiência.

Fala do que achou....

6 de mai. de 2011

5 de mai. de 2011

Doce perigoso

Vamos ver se gostam dessa....é bem cumpridinha....

Doce perigoso

Como a vida dá voltas. Há dois anos atrás eu não podia imaginar que estaria nesse lugar esperando pela pessoa que mais amei. A intensidade que esse sentimento teve dentro de mim, isso não sei explicar. Tive tudo que poderia sonhar, mas agora não tenho nenhum sonho. Eu não sou a vítima dessa história, nunca serei. Recuso-me a ficar chorando por alguma coisa que tenha passado. Sou do tipo de pessoa que segue em frente, mas não posso negar que adoro pensar que vou ter a minha doce vingança.
            Como já havia falado, a uns dois anos atrás eu não imaginava que a minha vida estaria desse jeito. Sou um cara que particularmente se acha lindo. Veja bem, tenho uma estatura mediana para os homens, nem alta nem baixa. Tenho um corpo que agrada a todos os tipos de mulheres, ou seja, perfeito. Meus músculos agradam aquelas que se derretem por um corpo sarado, mas ao mesmo tempo posso agradar aquelas que não gostam muito de músculos. Tenho a medida certa para todas. Tenho olhos claros, cabelos cacheados que tem uma cor maravilhosa de mel, gosto de deixar que os cachos apareçam. Minha pele é levemente bronzeada, minha bunda é de deixar qualquer mulher se morder de inveja.
            Provavelmente vocês devem estar achando que sou um desses “caras” que apenas tem uma aparência perfeita, mas eu também tenho conteúdo. Sou formado em Ciências da Atividade Física pela Universidade de São Paulo (USP). Como posso ver, eu sou uma pessoa que tem instrução e ao mesmo tempo uma aparência divina. Tenho uma boa lábia e sei conversar com qualquer tipo de pessoa. Não pensem que minha vida é apenas voltada a minha pessoa. Faço parte de uma ONG que trabalha com animais, dôo sangue, sou doador de medula, tirando que um dia por mês ajudo os Amigos do Bem a recolher alimentos em supermercados. Acho melhor parar de falar de mim e continuar a história. É normal isso, sempre me perco falando de assuntos interessantes.
            Se me permitem falar, sou um verdadeiro “pegador”. As mulheres se derretiam por mim, eu apenas as satisfazia. Era apenas um mero instrumento de suas vontades. Acreditava que um dia ia encontrar a pessoa pela qual eu me apaixonaria, mas enquanto ela não chegava, eu aproveitava. Foram muitos anos nesse estilo de vida, mas eu era um cara consciente, usava todos os tipos de proteção para não pegar doença nem ter a surpresa da paternidade. Como é bom lembrar desse tempo.
            Quando fui sair com os meus amigos para comemorar um aniversário, tive a visão mais magnífica que poderia ter. Ela não era do tipo de mulher que eu me envolveria, mas aqueles olhos eram tudo que sempre pedi a Deus. Eu estava acostumado a “pegar” mulheres que poderiam dar inveja a qualquer um, mas sempre me enjoava depois de um tempo. Sabe aquele tipo de mulher que ao abrir a boca você se esquece o motivo de estar com ela? Fiquei um bom tempo a contemplar aqueles orbes negros, eu sou um “cara” que “gama” em olhos negros. Eu apenas tinha visto algo parecido, quando era pequeno. Uma amiga perdida no tempo.
            - Acorda Marco. – disse meu amigo Serafim enquanto estralava o dedo na minha frente. – Alguma “gatinha”? – tentou olhar para o mesmo lugar que eu. – Está de olho na magrela ali? – junto à mulher dos olhos negros, pude ver uma mulher magrela que me deu arrepio ao ver suas pernas. Ela estava com um vestido vermelho que mostravam metade da coxa para baixo. Eram tão finas suas pernas que nem sei como não quebravam. Era uma ruiva branquinha, com pequenas sardas ao redor de suas bochechas. Tinha um corpo que mostrava ter curvas, olhos que não pude definir na hora, já que estávamos numa boate que tem luzes piscando a todo o momento. Posso falar que ela não é de jogar fora, mas tem um fator que me impediria de “pegá-la”, as pernas eram muito do tipo “cambito”. Não queria que o “retardado” do meu amigo pensasse que eu estava interessado na baixinha ao lado, a que eu “gamei”.
            - É essa mesma. Só não sei como me aproximar dela. – adoro esse cara, pois o conheço desde que éramos pequenos. A melhor qualidade dele era o seu dom de achar desculpas para “chegar” na “mulherada”.
            - Não acredito que você ainda não a reconheceu. – o que ele tava falando? Reconhecer quem? – Aquela ali de camiseta branca ao lado da ruiva é a Alicinha. Lembra a garota que brincava com agente no parquinho em Catanduva? – sou originário de Catanduva, vim para São Paulo para estudar e daqui não sai mais. – Olha a sua sorte, moleque.
            Na hora fiquei pasmo. Então era ela mesma. A única pessoa que tinha olhos tão negros era a Alicinha, e agora eu a reencontrava. Um sorriso brotou de meus lábios. Então aquela garotinha baixinha, gordinha e que usava óculos tinha mudado alguma coisa. Ela ainda continuava baixinha, mas acho que o tempo foi bom para ela. Não era a mulher mais linda que eu já tinha visto, mas era a mais fascinante. Ela devia usar lentes agora, seu corpo não era muito do padrão de passarela, mas suas curvas eram extremamente realçastes. A roupa era discreta, devia estar lá apenas para acompanhar a magrela. Chegamos devagar, a minha deusa vestia uma camiseta branca e uma calça jeans estilizada. A roupa poderia ser simples, mas era linda como a sua cor era realçada pelo contraste com a cor da camiseta. A minha deusa era uma morena muito jeitosa. Ai de quem vir com preconceito para cima dela.
            - Oi. – Alicinha comentou alguma coisa para a ruiva e essa deu um sorriso – Você não é a Alicinha Morais que morou em Catanduva? – falava o meu amigo com um sorriso de comercial de pata de dente.
            - Então você me reconheceu, Serafim. – ela ficava linda quando sorria. Ela olhou mais atrás dele e pode me ver aproximando – E esse não é o Quindim? – deixa-me explicar esse pequeno apelido. Quando eu era muito pequeno, gostava de comer muito, muito, muito quindim e tiveram essa brilhante idéia de me chamar assim. Eu era um moleque magrelo quando pequeno, nada que se assemelhe ao que sou.
            - Sou eu sim, Alicinha. Vejo que o tempo fez a senhorita mudar um pouco, mas continua a mesma baixinha. – sempre adorei implicar com a sua altura, mas nada que impedisse de termos laços de amizade.
            - Digo o mesmo para você, o magrelo se tornou um belo rapaz. – ela disse como aquelas velhas que nos vêem de criança e depois de uma vida voltam a nos ver. Sempre com seu jeitinho irônico.
            - Sempre a mesma coisa de sempre. – disse Serafim. Meu amigo era o único que não havia mudado muito, sempre foi do tipo que as garotas brigavam para namorar.
            Nos cumprimentamos como todas as pessoas que não vêem amigos de infância. Éramos o trio que mais aprontava, mas acabamos perdendo contados com ela assim que se mudou para outro estado. Nunca senti algo especial por ela, era um garoto que só queria aprontar. E nesse quesito eu posso dizer que fui mestre. Comecei a me interessar pelo sexo oposto apenas quando entrei no colegial e vi aqueles monumentos. A partir daí eu comecei a cuidar da minha perfeição. Sai de um garoto magrelo para o delírio das mulheres.
            Conversa vem, conversa vai, acabamos passando a noite toda ao lado delas. Serafim acabou se envolvendo com a ruiva que era uma amiga muito antiga de Alicinha. Ela se chamava Camila, um nome que combinava com a moça. Fiquei a noite toda ao lado da minha deusa dos olhos negros, mas para não mostrar que tinha interesse nela, fiquei com uma tal de Jéssica, nem sei da onde aquela mulher apareceu. Ela beija muito mal, fiquei nem uma hora com ela e já corri para o lado da minha velha amiga. Ela pelo que pude ver não queria “papo” com ninguém. Melhor assim.
            Se eu ficar contando todos os encontros que tivemos depois desse vou passar muito tempo falando e não poderei concretizar a minha vingança que vai acontecer daqui a pouco. Resumindo o trio voltou a sair junto, mas para programas mais “cabeça”. Pois a Alicinha não gostava muito de sair à noite para dançar. Só tinha ido mesmo por insistência da Camila. O tempo foi passando e acabei por roubar um beijo da morena.
            Contando o caso mais detalhadamente. Estávamos num parque de diversões apenas nós quatro, mas acabamos ficando a sós eu e ela, já que o Serafim e a Camila acharam um assunto em comum, que envolvia bocas e mãos. Não me perguntem onde eles estavam, mas que demoraram, isso demoraram. Continuando. Estávamos numa mesa comendo um hambúrguer do próprio parque, quando o assunto ficou um pouco escasso, fiquei a admirar seus lábios carnudos enquanto comia. Assim que ela terminou sua refeição não agüentei e por impulso a beijei. Não posso falar que foi um beijo muito bom, pois ainda tinha comida em sua boca e quase vomitei ao sentir isso. Ela ficou estática, mas quando viu a minha cara de nojo mergulhou numa gargalhada gostosa. Recuperei-me e olhei feio para ela.
            - Qual é a graça? – ela me olhou com suas lindas perolas negras.
            - É que você tentou dar uma de galanteador com o beijo e se deu mal. – ela tinha razão. – Então você quer me beijar? – anui e ela me puxou para junto dela e me mostrou que realmente beijava bem. Fiquei um bom tempo descobrindo as partes de sua boca. Não sei falar se sentia alguma coisa por ela, mas os seus olhos eram algo que eu queria me perder quando apreciava. O tempo passou e repetimos várias vezes, mas não estávamos lá para esse tipo de diversão. Continuamos a visita aos brinquedos, mas sempre repetíamos a nossa brincadeira.
            Encontramos os dois sumidos amassados. Depois desse dia comecei a ficar constantemente com a Alicinha, mas alguma coisa nela impedia que chegássemos a um estágio um pouco mais avançado. Sempre que as coisas esquentavam, ela me empurrava. Nesses momentos me sentia só, meu corpo ansiava por mais. Mas fui paciente com ela, respeitei seus limites. As coisas foram ficando sérias e começamos a namorar. Meu segundo namoro na vida. O primeiro tinha sido com uma tal de Carla, mas ela era muito oferecida e não suportei mais que três meses de namoro. Num dos meus avanços eu não agüentei e quis saber o motivo dela não querer se entregar.
            - Alicinha, qual é o verdadeiro motivo de você não querer continuar? – disse já num estado deprimente. A natureza estava querendo que a espécie fosse perpetuada.
            - Acho que não posso mais esconder de você – nos sentamos no sofá da minha casa, peguei uma almofada e coloquei sobre meu “amigo” – Na noite que eu te reencontrei tinha acabado de terminar um noivado de três anos. Fui eu que terminei, mas sentia uma solidão correr por meu corpo. A Camila tinha resolvido me levar para sair e esquecer isso.
            - Qual foi o motivo da separação. – sempre fui muito curioso, isso me deixava interessado nas conversas das mulheres e me dava um ponto positivo.
            - Eu o vi me traindo. O peguei na cama com outra, desde então tenho um pouco de receio de avançar um pouco amais do que vamos. – tinha um desafio para vencer. Eu a abracei e me fiz de namorado compreensivo. Mas venhamos e convenhamos, eu não sou desse tipo de cara. Posso ser sensível, mas não sou outra mulher para entender.
            O tempo foi passando, eu na minha necessidade natural de homem, começava a me incomodar de não poder me aliviar de meus desejos. As minhas sessões no banheiro já eram fracas. Esperei um ano para conseguir chegar onde queria. Respeitei a honra de minha namorada até o último minuto. Nesse momento eu já a amava e quando eu gosto fico fiel como um cachorrinho. Quando nos tornamos um, eu me senti o homem mais feliz e aliviado do mundo. As coisas começaram a se acertar de vez. Tínhamos sonhos juntos, deixei a minha vida de “pegador” e passei a ser um cara mais caseiro.
            Continuei com o meu físico perfeito e a minha personalidade irresistível. Como alguns falam: “tinha ganhado uma coleira”. Tinha planejado pedi-la em casamento e enfim conseguir realizar o sonho da minha mãe. No meio dos meus planos ela me aparece com uma cara de que aprontou alguma. Os seus olhos negros não sabiam mentir. No meu apartamento pequeno, aqueles típicos de homens solteiros e desorganizados, ela começou a pior conversa que já tive na minha vida.
            - Marco. – quando ela me chamava pelo nome era algo importante – Precisamos conversar.
            - Sente então, Alicinha. – tinha acabado de sair de um banho demorado, ainda estava colocando minhas roupas. Sentei numa cadeira em frente a ela e a olhei todo bobo, como ela é linda.
            - Acho que as coisas não estão dando certo. – Dá onde ela tirou isso? Para mim estava tudo perfeito. – Acho que deveríamos terminar.
            - Como assim? – estava incrédulo. Ela queria me deixar? O cara mais perfeito do mundo? Só podia estar tendo um pesadelo. Levantei e fiquei de costas tentando assimilar o que tinha ouvido. Virei-me e a encarei – Como você pode me falar que quer terminar? Ontem você disse que me amava.
            - Só disse por você ter dito, não sabia o que falar então concordei. – ela parecia fria, nunca tinha sido assim. – Foi por compaixão.
            - Compaixão? Você viveu quase dois anos comigo por compaixão? – uma ira me tirou a calma que tentava manter.
            - Não era isso que quis dizer. Eu gostei muito de estar com você, mas não consegui esquecer do meu ex-noivo. – ela parecia que ia começar a chorar.
            - Você pode não querer ter dito, mas disse. Ficou comigo quase dois anos e não me amou? – esfregava minhas mãos nos meus cachos. Ela não era a mesma que eu tinha amado, alguma coisa tinha mudado. – Você sabe quanto tempo eu fiquei planejando te pedir em casamento? – ela me olhou surpresa. Fui correndo até a minha cômoda e tirei um pacotinho. Abri e joguei nela duas alianças. – Planejei te pedir em casamento no dia do nosso aniversário de dois anos. Tinha planejado como você tinha me contado numa dessas noites.
            - Desculpe. – ela caiu de joelhos e chorava – Eu queria te amar, mas não consigo. Os momentos que eu passei com você foram os melhores até hoje, mas meu coração já é de outro.
            - Não adianta me pedir desculpas. Se eu não sou bom o bastante para você, então vá para quem você quer. Senão me engano ele esta na cama com outra. Só quero saber o que te fez mudar de idéia.
            - Você é bom para qualquer mulher. – disse se levantando tentando me consolar.
            - Qualquer uma menos você. – disse a empurrando quando tentou se aproximar.
            - Ontem depois de sair daqui, encontrei o Dérik. – o nome do desgraçado que roubou o meu amor – Ele tentou voltar, disse que se arrependia por ter me deixado. Argumentei que já tinha alguém, mas ele não desistiu. Acabamos nos entregando. Hoje cedo percebi que não te merecia. Resolvi dar mais uma chance ao meu coração.
            - Você está dizendo que aquele branquelo, fraquinho e ignorante americano conseguiu você de volta. – parei um pouco e gritei – E o pior eu sou um corno.
            - Desculpe. – nem sei como estávamos dispostos no apartamento. – Não queria que as coisas acabassem assim.
            - Não adianta me pedir desculpas. Se você quiser ficar comigo eu perdôo a sua traição. Amo-te muito e não quero ficar longe de você. – estava disposto a ignorar o que ela me contará se ela quisesse ficar comigo. Engoliria o meu orgulho.
            - Você não entende, Quindim. Eu o amo e vou ficar com ele. – ela parecia que já estava pronta para ir.
            - Se não me quer, há quem queira. Saia daqui. – gritei e a vi sair de meu apartamento.
            Há primeira semana eu fiquei um traste, nem quase conseguia trabalhar. Tinha me tornado um homem jogado. Mas depois com as palavras do Serafim eu me recuperei.
            - Marco, você não é homem de ficar assim. Você quer que ela te veja assim e fique por cima? Siga em frente. – ele falou quando estava num bar bebendo “todas” que meu organismo agüentasse.
            Depois disso voltei a ser eu mesmo. Fiquei com o coração partido, mas nunca fui muito de demonstrar que estava machucado. Estava disposto a esquecer Alicinha, mas quando eu a vi na televisão com esse tal de Dérik. Meu sangue ferveu e uma sede de vingança apareceu. Esse americano era um cara muito mais jovem que nós dois que estava tentando ser afirmar como jogador de futebol e só agora com 23 anos tinha conseguido um time bom. O meu amor tinha se tornado ódio puro. Ela estava feliz ao lado do seu mais novo namorado. O mesmo que deu um par de chifres para ela. Resolvi que deveria agir.
            Voltei a ser amigo dela, conheci o jogador. Ele era branquinho, magro, e o seu QI não passava de zero. Conversar com ele era algo insuportável. Não tinha nenhum músculo, o pior era os dentes todos tortos que ele tinha. Até que tinha alguma beleza se ficasse com a boca fechada, tanto pelos dentes quanto pelas besteiras que falava.
            Pedi ajuda a Serafim para em minha vingança, mas ele se negou. Tentei convencê-lo falando que tinha suspeitas que aquele cara estava traindo a nossa amiga. Ele em nome a nossa amizade aceitou. Não contei qual era o meu verdadeiro plano.
            Foram quatro meses de pura falsidade. Ela estava mais feliz do que nunca, jamais imaginei que a sensação de estar a ponto de destruir um amor fosse tão boa. Nesse meio tempo colocamos detetives para rastrear os passos do Dérik. Não demorou muito para descobrir que ele a traia com várias mulheres. Serafim queria contar logo para ela, mas eu o convenci a esperar o momento oportuno, já que algo assim a machucaria muito.
            - Marco, você tem certeza de que não está na hora de falar a verdade? – ele estava muito preocupado num dia em que saímos para jogar boliche. Ele tinha se acertado com e tal Camila e não saia mais para “pegar”.
            - Serafim, eu bem que queria, mas precisamos preparar o terreno. Acho que se pedirmos a Camila que nos ajude, ficará mais fácil. – a minha maldade era extrema. Tudo foi planejado nos mínimos detalhes.
            - Acho que você tem razão. – e assim contamos para a moça e ela ficou muito triste pela amiga e se prontificou a ajudara contar.
            No meio dessa busca do momento ideal, apareceu o meu momento. Haveria uma festa de aniversário para ela e falaram que fariam uma homenagem para a garota e o namorado ficou responsável por isso. Era a chance perfeita. Dei o meu jeito de colocar as fotos dele na cama com várias outras no meio da apresentação. Não me pergunte como fiz isso, mas pode ter certeza que não foi muito difícil. Sempre fui o rei nessas coisas, um dom que tenho desde criança. Agora estou aqui esperando tudo acontecer.
            - Em 15 minutos, ela estará aqui. Arrumem tudo. Marco dá um auxilio para a “porta” do Dérik, ele não ta sabendo ligar o projetor. - falava Camila assim que dava os últimos detalhes.
            Sai do lugar confortável e vou ajudar aquela anta, todos já se perguntavam como ela poderia agüentar aquele ser ignorante. Ajudei-o com os detalhes, ele não ia muito com a minha cara, pois era o antigo namorado da Alicinha. Nem ligava para isso, logo ele seria destruído. Volto para onde estava e fico observando o pessoal desesperado tentando arrumar as coisas. Era a casa da Camila onde vai ser a festa. O ambiente está muito agradável, colocaram alguns balões no quintal onde vai ser dado um churrasco. É uma casa grande, tem um quintal enorme onde mesas foram montadas, há muitas comidas e as carnes já começaram a ir para a chapa. Convidaram apenas alguns amigos e familiares. Era uma festa surpresa. Vi Serafim vindo em minha direção.
            - Que sorriso maldoso é esse, “cara”? – falta pouco tempo para que ela chegasse e nada poderia estragar o meu plano.
            - É que o meu plano vai se concretizar, a vingança enfim chegou. – ele me olha desesperado, larga o que estava fazendo e me puxa para dentro da casa.
            - O que você fez? Não acredito que você continuou com essa idéia maluca de vingança. – senta-se na minha frente e fica esperando eu contar. Com um sorriso debochado eu começo a contar o meu plano.
            - Eu apenas armei uma coisinha simples. – ele não acredita que eu estou falando isso – Peguei as fotos do jogadorzinho a traindo e coloquei ao final da apresentação dele. Vai ser muito bom poder ver eles se separando.
            - Você ta louco? Vai ser uma humilhação que vai traumatizar a garota. Você não é assim, nunca vi você fazer mal para alguém para se vingar. – parece que ele quer me convencer. Nada pode me fazer mudar de idéia.
            - Apenas quero que ela sinta que me trocou por um retardado. – digo com raiva e rancor.
            - E a melhor maneira é humilhá-la perante todos que a amam? – ele realmente é uma pessoa muito boa.
            - Ela me humilhou a partir do momento que me deixou daquele jeito. Traiu-me no momento que me declarei para ela e o pior que falou “eu te amo” por compaixão. – despejo o que estava entalado na minha garganta. Dizer me fez muito bem.
            - E acha que vai resolver alguma coisa você a machucar dessa maneira? Vai adiantar ela ficar chorando por tua culpa? Pois quem promoverá a vingança vai ser você. Você não a quer de volta?
            Realmente não tinha pensado nisso: tê-la de volta. Seria algo inimaginável se a vingança se concretizasse. Sei que ela não largaria o seu adorável jogador de futebol que tem QI de lesma para ficar com um cara perfeito como eu. E também eu não vou ficar correndo atrás dela para ela ficar me esnobando. Nunca corri atrás de mulher que me afastou, sempre sigo em frente e elas que caiam aos meus pés.
            - E você acha que ela largaria o tão amado namorado para ficar comigo? Posso ter um jeito magnífico, mas ele tem o coração dela. Não sou de ficar correndo atrás de quem não me quer, tenho orgulho. – falo fixando meus olhos nele.
            - Não queria te dar esperanças, mas a Camila me falou que a Alicinha não esta agüentando mais aquele cara. Desconfia que esteja sendo traída. – dei um sorrisinho ao ouvir isso – E se arrepende muito por ter te deixado. Hoje ela vê o erro que cometeu ao te largar. Ela estava pensando em voltar para você. – essas palavras fizeram com que minha sede diminuísse, uma agonia me tomou. Ela estava reconhecendo o meu valor?  
            - Mas eu ainda não a fiz se arrepender por ter esnobado os meus sentimentos, feito todos os meus sonhos serem destruídos. – sinto vontade de me enfiar na bebida novamente. Nunca fui de beber e ela conseguiu isso. – Ela me fez me acabar durante uma semana no álcool.
- Você quer vingança maior do que ela ver todas as suas qualidades? – o que ele esta falando? – Camila me falou que ela se sentiu muito mal ao te ver largado ao álcool, mas ficou admirada que em uma semana tenha conseguido tocar a vida. Sentiu-se muito mal ao ver que você conseguia viver sem ela. Ver que você podia ser uma pessoa maravilhosa, pois voltou a ser amigo dela, não tentou nada para dar o troco. Ela constatou que te amava, mas tinha medo de se envolver e se refugiou no passado. Ela admirou que você agüentou um ano para aprofundarem a relação, mas que o namorado dela não conseguiu agüentar nem uma noite e logo brigou por isso. Ela sabe que você é perfeito.
- Então se eu deixar o meu plano der certo, eu vou terminar com as minhas chances de me dar bem. Pois quando ela souber que ele a trai, ela pode vir correndo para mim e eu a terei em meus braços. – se tudo der como planejei, eu vou me dar mal. E isso eu não quero de jeito nenhum.
- E como você pretende impedir que sua estratégia se realize? Já que você é o rei das armações? – ele diz irônico.
- Eu consigo, mas preciso de você, pois para enganar a porta é fácil, mas o pessoal não. – me levanto, olho para o relógio – Temos 5 minutos para agir.
- E qual é o seu plano? – desde pequeno ele sempre achava que eu devia ser doente para bolar os meus planos malucos.
- Muito simples. – não posso desperdiçar essa chance para dar o meu sorriso de superior. – Eu fiz com que a apresentação ficasse depois das fotos dela. Então ele pensa que termina a apresentação num ponto. O que temos que fazer é apagar a força nessa hora, pois ele, que é uma anta, vai afirmar que acabou a apresentação. Você vai ter que dar um jeito nisso acontecer, eu vou me levantar e começar as palmas e nessa hora você desliga tudo.    - Juro que não sei como você consegue bolar essas idéias. Pode deixar, mas eu cuido para que o pessoal não suspeitar dessa falta de energia.
Volto para o meu lugarzinho e olho a movimentação para arrumar tudo. Como esse cara é estúpido. Não é para menos que falam que jogador é burro. Com uma figura como essa, a maioria vai pensar assim. Eu sei que isso é mentira, mas parece que os “caras” querem manter essa imagem. Um amigo meu é jogador e é um verdadeiro culto. Logo o meu plano vai dar certo, vou ter a minha Alicinha de volta e tudo vai voltar ao normal.
O Serafim tinha razão, como não pensei nisso antes? Eu realmente me equivoquei nesse momento, algo que não é comum acontecer. Logo tudo está arrumado antes da aniversariante chegar, ela não esperava uma festa surpresa. Se tivesse comigo eu ia fazer ela pensar que íamos jantar fora, mas antes tínhamos que pegar um presente na casa da Camila. Mas como ela está com uma anta, isso não é possível. Foi enrolada pelo pai que insistia em sair para passar a tarde com ele e a Camila para comprar um presente. Eles estavam vindo buscar a amiga.
Como as pessoas ficam abobalhadas ao verem todos reunidos em seu aniversário. Nunca conseguiram me pegar, por isso não sei como é essa sensação. É, às vezes ser perfeito tem as suas desvantagens. O pessoal vai todo abraçá-la, vou esperar para ser o último. Quanta coisa ela ganhou, tomara que ela goste do meu presente. É surpresa. Acho que chegou a minha hora de falar parabéns.
- Feliz aniversário, Alicinha. Espero que hoje seja um dia maravilhoso e que você tenha muita saúde e paz. O meu presente é o papel laranja. – digo enquanto a abraço. É muito bom voltar a estar nesses braços, espero que não demore muito.
- Obrigada, Quindim. - se separa de mim, mas o que o Serafim falou deve ser verdade mesmo, já que ela não me chama assim desde que nos separamos. Agora só preciso esperar o meu plano destruir a minha vingança. As coisas vão correndo normalmente, todos comem, conversam. Como não sou nenhum anti-social me integro à festa. A salada de batatas esta muito gostosa como todo o resto.
É chegada à hora do Dérik fazer a homenagem a Alicinha. Lembro-me de algumas daquelas fotos, outras nunca ia imaginar que elas existiam. Ela andou de caiaque, e olha essa na Disney. A vida dela foi muito boa sem mim, mas sei que será muito melhor comigo. Essa é a última foto antes da minha surpresa. Assim que para na mensagem “Feliz aniversário, meu amor” eu já me levanto e bato palmas e como que por benção a força acaba.
- O que aconteceu aqui? – é a pergunta que todos fazem. Ainda são cinco horas e tem alguma luminosidade entrando pelas cortinas fechadas. Estamos dentro da casa da Camila para poder ver melhor.
- Acho que o fusível queimou, deixa que eu vá ver. – se prontificou Serafim. Depois de algum tempo a força voltou.       
- Dérik, a sua apresentação já tinha terminado? – pergunta um dos convidados.
- Yes. Que sorte! – esqueci de mencionar, ele tem um sotaque insuportável. E tudo sai como planejo. Sou demais mesmo.
O resto do aniversário foi normal, sabe como são essas festas de família. As coisas correram normais nesses dias posteriores à festa. Acho que já esta mais no que na hora de contarmos para ela o que descobrimos. Quanto tempo mais passar será pior e também estou com saudade de senti-la perto de mim. Chamo o “Casal 20” e decido falar o que tanto me aflige.
- Serafim, acho que já ta mais que na hora de contarmos a verdade dessa anta para a Alicinha. – digo sério, normalmente eu não ficaria, mas estamos falando da felicidade de uma pessoa, eu.
- Eu também acho, mas a Camila está com receio de contar. – ele olha para a namorada – Amor, acho que ele está certo.
- Eu sei que o ideal é contar assim que descobrimos, mas estou com muito medo de como ela vai reagir. Vocês não sabem como foi difícil para ela da outra vez. Foram dias chorando e eu tentando a consolar. – posso ver que a sua voz esta embargada. Ela deve ter sofrido muito nessa separação, mas elas não estariam sozinhas. Ela tem a mim e isso muda completamente a história.
- Mas dessa vez estamos aqui para apóiá-la. Acredito que ela sentirá um grande baque, mas terá muitos que a querem bem ao seu lado. – tento ser a pessoa mais serena que consigo.
- Mimi, você mesma disse que ela estava querendo se separar dele, isso apenas será um motivo a mais. Se ela não gosta mais tanto dele, tenho certeza de que a dor será menor. – palavras sábias essas que Serafim disse, só faltou mencionar que logo ela estaria em meus braços sendo reconfortada.
            Planejamos fazer um jantar para nós quatro, algo simples apenas para passar o tempo. A nossa sorte foi que o “imbecil” estava na concentração e nem precisamos achar uma desculpa para ele não ir. Contaríamos tudo após comermos, seria a minha casa, pois insisti muito. Ao meu ver, era um lugar que não levantaria tanta suspeita, nem sei na verdade o motivo de pensar assim.
            Usei mais um dos meus talentos e cozinhei algo saboroso para quatro pessoas. O jantar foi normal, nada que levantasse a suspeita do que estava para vir. Eu e a Alicinha ficávamos sempre de velas para aqueles dois. Assim que saboreamos o maravilho mousse de chocolate, que modéstia parte, tinha um sabor divinal. Agora estamos os quatro conversando sobre futilidades da vida e o assunto principal não é tocado. Acho melhor, eu fazer as honras.
            - Bons tempos aqueles. – Serafim tinha contado um dos meus “rolos” no colegial. – eu era um pegador mesmo.
            - Eu não entendo o motivo de você não ser mais o mesmo depois que terminamos? – fala de forma pensativa Alicinha. Acho que ela disse sem pensar, parecia mais um pensamento para si mesma que um comentário. Ficamos em silêncio, ninguém sabia o que falar. Era um assunto tabu que existia entre nós quatro. – Desculpa, nem percebi que tinha falado. – ela tenta de todas as maneiras remediar, mas eu não quero que as coisas fiquem dessa forma.
            - Acho que são apenas voltas da vida. Não se preocupe, o seu comentário não foi ofensivo. – mais um silêncio arrasador – Não agüento mais ficar enrolando para contar para ela. Acho que vou ser eu que vou contar.
            - Contar o que? – pergunta toda confusa a morena. Eles apenas me olham e parece que falam para continuar o que comecei. Melhor contar toda a verdade desde o início.
            - O que descobrimos. Mas antes de você questionar, ouça e depois decida o que você deve achar. – ela me olhou com uma cara de dar dó, parecia que já pressentia o que estava para ouvir – Quando você me deixou, mergulhei numa depressão muito grande. Mas depois me recuperei. Uma necessidade de vingança tomou o meu ser.
            - Como assim vingança? – ela parece que não acredita no que eu disse. Algumas pessoas devem tentar entender o motivo de eu contar toda a verdade. Sou um tipo de pessoa que gosta de ser verdadeiro, posso ter os meus momentos de maldade, mas nada que queira fazer a menina a minha frente achar que sou um santo.
            - Eu pedi para o Serafim me ajudar numa investigação, tinha em mente mostrar que o seu namorado a traia. – ela olha feio para o meu amigo e ele se recolhe sem graça. – Mas ele não aceitou, então passei a falar que seria por causa de uma desconfiança minha. Quase destruí a sua festa com o que descobrimos. – ela parecia que não me reconhecia – Mas percebi que não deveria fazer isso, o Serafim ajudou muito nisso. Sei que você deve estar me achando um monstro, mas eu estava com ódio, não raciocinava direito. Mas não é esse motivo por estarmos aqui na sua frente, queremos te dizer que o Dérik te traiu inúmeras vezes. – ela me olha de um jeito que nunca esperei um dia ver. Entreguei lhe um envelope – Essas são as fotos. Resolvemos te contar agora, pois a coragem não tinha nos abençoado com o seu dom e não queríamos te machucar.
            - Você todos sabiam disso? – ela parecia um bicho acuado tentando atacar para se defender. Meus amigos nem tinham palavras para rebater o que ela os acusava.
            - Eles não têm culpa de nada. Se alguém tem culpa é o seu namorado e eu que não vi que a machucaria ao descobrir isso. – ela se levantou e foi para a janela, fiz sinal para que eles nos deixassem a sós. Tenho certeza de que ela vai descontar toda a sua raiva e precisa depois de alguém para chorar e a melhor pessoa era a Camila – Acredito que ela vai precisar de você, deixa-a descarregar tudo em mim.
            - Amiga, vamos deixar vocês dois. Se precisar você sabe que minha casa esta aberta a qualquer momento. – eles se despediram e ela não pronunciou nenhuma palavra, assim que ouviu a porta bater se virou.
            - Por que? – ela chora de forma compulsiva.
            - Ele não te merece, nunca gostou de você de verdade. – como posso justificar uma traição de um cara que acho que o QI é negativo?
            - Não me importo de ter sido traída por aquela coisa. Só estou um pouco com o orgulho ferido, mas nada que não seja curado. Quero saber o motivo de você desistir da sua vingança? Eu entendo perfeitamente que eu te dei motivos para tal. – Desta vez não espera que ela se importe mais pelo fato de não completar a minha vingança do que de ser traída.   - Não sei se você vai gostar do que você vai ouvir. – o que posso falar?
            - Não me importa, só quero a mais pura verdade e sei que você não é do tipo de pessoa que recusaria esse pedido. – ela me conhecia pelo menos de alguma forma. Nunca recusaria um pedido desses, muito menos um dela.
            - A única verdade que pode existir é... – qual é a verdade? Vou falar o que me vier a mente, pois essa será a verdade. – O Serafim me contou que podia ter-lhe de volta. Ele me mostrou que a minha única vingança era mostrar que você tinha perdido alguém como eu. Posso pensar muito em mim, mas eu não sou um cara sem sentimentos. Mesmo tentando agir como se não sentisse a sua falta, eu não consigo viver sem você. Posso ser perfeito, mas não adianta nada ser assim se não posso ter a única mulher que quero. A única que tem esses olhos que me prendem.  
            Alicinha esta quieta demais. Acho que mais uma vez as minhas palavras deixaram uma mulher sem elas. Já posso sentir os meus ouvidos serem carregados com um banho de palavras descontroladas que normalmente as mulheres despejam. Ela chega um pouco mais perto de mim, posso sentir o seu calor.
            - Então você ainda quer voltar para mim? – apenas anuo. Um sorriso de satisfação brota no semblante dela. – Você pode me mostrar? – envolve meu pescoço com os braços. Já viram o que terei que fazer, um sacrificado beijo.
            Não espero nem mais um segundo, colo nossos lábios e me delicio com o seu gosto. Senti tanta saudade daquela sensação. Pode-se falar que estou em abstinência desde o nosso rompimento. Os beijos vão evoluindo e nessa hora já estamos no meio dos meus lençóis e eu mostrando que a amo. Nem passa pela minha cabeça a reação da anta. Acho que nem na dela, pois o jeito como se entregou apenas mostra que a minha falta é mais presente.
            Mais uma vez meus planos se realizaram melhor que eu planejei. Sou parecido com o “Cebolinha” nesse sentido, mas meus planos dão certo. E assim passam as horas e ficamos cada vez mais unidos. Posso ter dormido pouco, mas essa é a noite que melhor descansei. O dia amanhece e a vida continua com um gostinho saboroso de Alicinha.
            Acho que nem preciso falar que a anta deu um show ao saber da separação. Como queria ter visto a cara daquele panaca. E assim termina a minha história, ou melhor, se inicia. Planejo pedir essa mulher em casamento antes que ela decida arranjar outro problema e tenha que viver toda essa trapalhada novamente. O pedido vai ser assim que ela abrir o presente que eu lhe dei em seu aniversário. Acredite se quiser ela não abriu aquela caixa. Eu tinha colocado o anel que tinha comprado. Tinha planejado esfregar em sua cara o anel, mas nesse caso vou usar esse detalhe para poder me casar.
            Pode-se falar que essa história é como simples olhos podem capturar um ser perfeito como eu. Nem vou perguntar se vocês gostaram, pois tudo que faço é magnífico. Até o meu casamento. E para falar que essa história não tem moral no final, apenas digo: Quer vingança? Planeje bem para você não se ferrar. Esse doce se come com cuidado.